quinta-feira, 14 de julho de 2016

60 dias de Neblina

Postado em A.MATERNIDADE Por Rafaela Carvalho

Você já ouviu o ditado “neblina baixa sol que racha”? Se nunca ouviu, vou explicar. Dizem que quando o dia amanhece com muita neblina é porque será um dia lindo, de muito Sol. Este texto tem a ver com isto. A neblina que vem antes do Sol e do céu azul…
Ahhhhhh os primeiros 60 dias com um bebê recém nascido em casa. O leite que finalmente desce, deixando o seu seio do tamanho de um melão transgênico. Duro igual uma pedra. Os hormônios que te fazem ir do gatinho fofo do shrek para a esposa do Chuck, o boneco assassino. Se você fez cesariana a cicatriz incomoda. Se você teve parto normal sentar incomoda. A barriga que fica igualzinha uma bexiguinha “murcha”, bem murchinha. Se quando grávida você tinha uma linha escura na barriga (“linea nigra”), saiba que ela consegue ficar ainda mais escura depois do parto (surpresaaaa!!). O umbigo que fica igual o olho esquerdo do Nestor Cerveró. Sangue, sangue, sangue e mais um pouquinho de sangue. Leite, leite, leite e mais um pouquinho de leite. E você que odiava usar absorvente agora tem que usar não somente na calçinha mas também no sutiã. E para fechar com chave de ouro ainda temos a famosa cinta pós parto (ou calçinha alta) que alguns médicos recomendam.
E não para por ai. Ainda temos:
Uma mistura de sentimentos que ninguém consegue explicar. Uma sensação de felicidade plena misturada com cansaço, amor, euforia, e tristeza.
Noites mal dormidas.
E se a noite é bem dormida, você então acorda boiando em um mar de leite. Azedo.
Seus mamilos que há esta altura já estão tão indignados com você que já quase te perguntam: Escuta aqui mulher, que merda é esta que você está tentando fazer?
Cólica.
Choro. Muito choro. Chora o bebê, chora você.
Mil pessoas palpitando na sua vida e na do bebê: Não pode comer tal coisa porque dá cólica. Mas você precisa se alimentar bem pois esta amamentando. Chá de camomila é excelente para cólica. Mas não pode dar na mamadeira porque se não o bebê não vai mais pegar o peito. O bebê está dormindo demais, de menos. Está mamando demais, de menos. Você está agasalhando demais, de menos.
Quebrante. Bem vinda ao mundo do tal do quebrante. E sempre vai ter uma pra falar: “Quebrante é comum. A gente mesmo coloca quebrante nos filhos”. Quer saber? Vai todo mundo tomar no meio do cu com este papo de quebrante. Quebrante me IRRITA!!! Não vou amarrar fitinha vermelha no bebê e ponto final.
Cocô explosivo. De madrugada. Por que? Por que Por que Senhor?
Vacinas que doem mais em você do que nele.
E durante uma madrugada qualquer, você já no auge da privação de sono, ergue o tom de voz, implorando para que o bebê durma. O bebê dorme. Você olha aquele rostinho lindo, e se pergunta: Como eu fui capaz de erguer a voz para este anjinho que eu amo mais que tudo? Que bruxa! Eu sou a pior mãe do mundo. Víbora. Eu mereço arder no fogo do inferno…
E a quarentena acaba e você fica pensando como vai dizer para o marido que a última coisa que passa na sua cabeça é sexo.
E saiba que quando finalmente rolar, há grandes chances de ser uma merda. Juro que não sei o que acontece, mas independente do tipo de parto, da impressão que voltamos a ficar virgens depois de ter filho, ou é o pinto do marido que resolve ficar gigantesco e virar estrela de filme pornô.
Você cuida do bebê e acaba esquecendo de você. Você fica dias sem ao menos se olhar no espelho. Não que você não queira, mas simplesmente porque você não lembra. Falta de tempo, falta de memória, não sei. Só sei que um dia você vai se olhar no espelho e vai se deparar com uma sobrancelha mais peluda que a perna do maridão. E vai lembrar que você além de mãe, é mulher, e esposa, e filha, e amiga.
E nestas alturas você já está igual aquele vídeo do David depois do dentista: “Is this real life”?!
E os dias passam.
E entre um choro e outro aparecem os sorrisos. Sorrisos que fazem seu coração explodir de amor e alegria.
Amamentar fica bem mais fácil.
Você já se sente mais segura e não se deixa abalar por palpites de terceiros.
Os hormônios dão uma trégua.
O bebê começa a dormir melhor.
Você e o seu bebê vão se conhecendo e entrando em sintonia. E não é que você está pegando a “manha” desta tal maternidade?!
Você até começa a cuidar um pouquinho de você.
Sexo volta a ser algo interessante, bem interessante.
E a vida vai voltando ao normal. Um novo normal.
E um belo dia você entra no elevador do prédio e encontra uma vizinha. No colo dela um bebê de 10 dias. Você olha para ela. Olha para o bebê. E tenta lembrar como era a sua rotina quando o seu filho tinha aquele tamanho.
Você tenta puxar na memória. Você não consegue lembrar. Como assim? Seu bebê tem só 7 meses, nem faz tanto tempo. Mas por que você não lembra? É como se tivesse uma fumaça. Uma neblina cobrindo a memória…
Os primeiros 60 dias de neblina.
Se você ainda está no seus 60 dia de neblina, tenha paciência. Curta os dias de pijama. Não caia na pressão dos outros que exigem que você saia da sala de parto como se nada tivesse acontecido. A vida mudou. Você mudou. Não se force a nada, absolutamente nada. Você já tem novidades o suficiente para processar. Não seja tão dura com você. Não permita que sejam tão duros com você. As visitas podem esperar. O mundo pode esperar. Leve as coisas no seu ritmo e se deixe levar rumo ao Sol. Pois depois da neblina, sempre vem o Sol.

Aos 45 dias....


Q
uarenta e cinco dias! São quarenta e cinco intensos e surpreendentes dias. Tão poucos dias, mas suficientes para mudar minha vida, colocá-la do avesso como se passasse um furacão...e me mostrar um amor que eu não fazia ideia de que existia.
Ok! Tá parecendo clichê. É...eu também pensaria isso se  lesse algo semelhante há quarenta e três dias atrás.
Nunca vivi tantas emoções e alternei entre os extremos das emoções.
Tudo começou no centro cirúrgico, quando ouvi o choro pela primeira vez. Acho que nesse momento caiu a ficha. "Eu sou mãe!". Aquele ser tão pequeno, aquele presente de Deus... foi mágico! Foi sublime! Foi uma vontade de abraçá-la, de transmitir tudo aquilo que eu sentia... mas no mesmo dia conheci os primeiros espinhos da vida de mãe: amamentar!
Uma professora de biologia do ensino médio dizia que se a humanidade dependesse dos homens parir pra perpetuar, já estaria extinta. Ela dizia que mulher mente - parir é lindo, amamentar é mágico! - e os homens são sinceros - os que provassem da experiência alertariam aos demais: "cai fora! É fria!".
De fato gerar uma vida e cuidar dela nos primeiros momentos de total dependência é um milagre, é uma benção, é um privilégio. Mas tem o preço a ser pago, e esse preço só sabemos quando vivemos esse momento.
Ganhei meu presente de aniversário alguns dias depois. Foi o maior presente e o melhor que já ganhei! Mas que presentinho mais faminto! Algumas horas após o parto, já chorava com fome. E foi nesse momento que descobri, de fato, que a amamentação não é lindo e maravilhoso como nas novelas. Amamenta quem realmente quer amamentar, porque o desejo de desistir é imenso! E não só o desejo, as dores, os machucados, a auto-negação são as principais marcas. Sem falar na cobrança, na pressão que uma recém mãe vive em relação à amamentação.
As duas primeiras semanas foram horríveis. Várias vezes eu perguntava ao Senhor "cadê o prazer, a alegria de ser mãe, de ter esse elo que é a amamentação? Só sinto dor, só sinto privação!" (eu passava o dia inteiro trancada no quarto, sobre a cama porque minha bebê mamava o tempo todo). Meus pais foram anjos enviados por Deus para ajudar a mim e ao meu esposo nesse período. Ah! O meu esposo! Ele foi mais que o marido que sempre pedi a Deus. Me surpreendeu quando assumiu a casa e me deixou com a única responsabilidade de dar o meu melhor para conseguir amamentar. Não me cobrou e me ajudou a passar por cima de todas as cobranças que eu recebi. Me dava apoio moral quando o bebê acordava de madrugada chorando e eu chorava junto porque já sabia da dor que eu sentiria. Acalmava o bebê pelo máximo de tempo quando eu já não estava mais suportando oferecer o seio. E quando a bebê dormia, um sentimento horrível de culpa por ficar nervosa com aquele ser tão fofo, tão lindo, tão fácil de amar... isso me consumia. Ao mesmo tempo, meu amor por ela só aumentava e me deixava mais maravilhada por sentir aquele amor tão gostoso, tão intenso! Foram duas semanas tensas, muito punks. Mas... passaram. Passaram como todas minhas amigas disseram: "fica calma, isso passa. É difíci ouvir isso nesse momento, mas vai passar". E passou! (Leiam depois o texto "A neblina")
Na terceira semana os seios ainda estavam machucados, mas bem menos. A dor era mil vezes mais suportável do que nas semanas anteriores. A bebê dormia um pouco mais, eu estava mais conformada com a total privação de tempo, então, as coisas estavam mais fáceis. E ao final da terceira semana eu começava a sentir uma certa alegria em amamentar. Começava a acreditar que amamentar realmente pudesse ser prazeroso.
Quando completamos um mês (a bebê... e eu - como mãe!) ah! Que maravilha! Conseguia amamentar com um mínimo de dor - na verdade, um desconforto inicial que já me disseram que realmente demora pra passar, podendo levar até uns quatro meses. Mas, perto do que passei, isso é nada.
Mas a vida de mãe de primeira viagem tem sempre surpresas. Agora que tudo ia de vento em popa, a bebê começa a se recusar a dormir durante o dia e quer ficar pendurada no peito. Volta a bater o desespero, porque eu mal conseguia ir ao banheiro. E agora, eu estava sozinha, minha mãe e meu esposo já estava de volta à labuta e eu teria que dar conta de acalmar a bebê, me alimentar, descansar, ir ao banheiro...rs... Fomos à pediatra ontem, após uma semana de luta para fazer a bebê dormir durante o dia. Ontem mesmo começamos o tratamento contra o refluxo (foram vários outros sintomas: soluços, tosses após mamar, a agitação para mamar, o ciclo de mamar, arrotar, cochilar, acordar, mamar...e o baixo ganho de peso). Hoje ela conseguiu mamar e dormir praticamente todas as vezes, e sem ficar "chupetando". Ah! Ela não pega chupeta.

Enquanto escrevo esse texto, vou ao quarto a cada cinco minutos para ver como ela está. Gente, cada vez que olho pra ela, eu babo. É linda! É doce! É encantadora! E agora, quando acorda, ao me ver perto do bercinho dela, abre aquele sorriso banguela que me derrete. Eu faria tudo novamente. Sem pestanejar. Esse sorriso paga tudo. Paga todo cansaço, todo sofrimento. Conheci um amor que jamais pensei existir. E sei que ainda tenho muito o que conhecer. E estou curiosa, desejosa de conhecer. Cada dia é algo novo. Cada dia é uma alegria nova. É uma coisa de Deus mesmo!

Recadinhos que escrevi enquanto esperava minha princesa

Alguns relatos que escrevi durante a gravidez...
Cuiabá, 28 de março de 2016
H
oje entramos na 30a semana! A ansiedade começa a bater porque o quartinho não tem nada arrumado - o guarda roupas foi concluído na ultima quarta-feira e agora tem que terminar de tirar a bagunça do quartinho da Bianca...
Mas hoje quero fazer algo diferente. Vou escrever para as duas pessoas que me completam:
Amor, você é mais do que sonhei, bem mais do que pedi a Deus. Formar uma familia com você é presente de Deus, é benção, é realização de vida. Obrigada pelo marido amoroso, companheiro, compreensivo (na grande parte das vezes...rsrs), fiel, temente a Deus, amigo e tão bom pra mim. Você me completa, me faz feliz, me ajuda a viver a vida cristã e torna meus dias especiais. Obrigada por estar sempre ao meu lado. Sei que será um pai maravilhoso pra nossa Bianquinha! Eu amo você. Admiro você. Sou apaixonada e louca por você!!!

Cuiabá, 28 de março de 2016
B
ianca, minha filha, minha primogênita. A gente nem se conhece e eu já te amo com um amor que me dói o coração. Todo o estresse da gravidez vai embora quando você dá um chutinho...quando você mexe um pouquinho. Desde já peço ao Senhor que te faça crescer no Caminho Dele e que você O ame de todo coração!
Faço imensos planos pra você: vai tocar piano, fazer balé, estudar inglês, gostar de bicicleta, patins, cantar, gostar de música clássica... Vai ser ótima contadora de histórias da Bíblia, vencer gincanas... Tadinha de você! Tanta coisa! Mas no fundo, no fundo, a mamãe só quer que você ame a Deus e dê sempre o seu melhor naquilo que você decidir fazer.
A mamãe te ama muito. E desde já quer te ajudar a ser a melhor pessoa, não por vaidade ou orgulho, mas a melhor segundo os padrões do nosso Deus. Que sua vida O glorifique e O exalte sempre.
Amo você, minha princesa!




Cuiabá, 11 de maio de 2016
O
 recado agora é para o vovô Joab e a vovó Ana Rute. Papai, mãe, sei que somente agora vou entender de fato os inúmeros sacrifícios e as dificuldades que enfrentaram para educar ao Dani e a mim.
Mesmo sem entender na prática, meu coração fica apertado todas as vezes que penso "como será que eles fizeram quando eu estava sendo esperada?". Eu só tenho que agradecer a Deus por tudo o que fizeram por mim. Deus me deu pais maravilhosos, que sempre me ensinaram a amar ao Senhor (e ainda ensinam), me passaram valores e princípios cristãos, que foram e são exemplos a serem seguidos...e que com certeza serão amáveis e muito queridos avós para a Bianca.
Eu sei que não sou fácil, tenho um temperamento autoritário... mas sempre penso "será que meu pai aprovaria essa minha atitude? O que será que a mamãe faria se estivesse em meu lugar?".
Amo vocês. Me orgulho tremendamente de vocês! Eu os quero sempre por perto, paparicando a Bianca e também me ajudando a ensina-la a amar ao Senhor.
Obrigada por tudo.... Por tudo... Inclusive pelas coisas que ainda não consigo perceber, reconhecer e agradecer!

Cuiabá, 11 de maio de 2016
E
stá cada dia mais difícil trabalhar. Não consigo me concentrar porque a minha cabeça está a mil... Além do cansaço normal da fase, do desconforto, tem o medo do parto. Como será que a Bianca nascerá? Vai cumprir o programado (dia 30/5) ou vai dar um susto e se apressar? Será que vou morrer no parto e minha filha vai crescer sem me conhecer? Se acontecer, quem vai cuidar dela? E como meu esposo ficará? Trabalhamos juntos no quartinho, será muito triste pra ele ver a Bianca usufruindo de algo feito com muito carinho por alguém que ela nem se lembrará...

Passa tanta coisa na minha cabeça! Mas o Senhor tem me tranquilizado o coração... Ele tem o controle de tudo em Suas mãos...

A notícia surpreendente: Serei mamãe!

Durante a gestação escrevi alguns textos, mas não os publiquei. Portanto, antes de contar minhas experiências como mãe, vou contar algumas coisas desde quando recebi essa notícia maravilhosa.

(escrito em 16/11/15)
Parei de tomar remédio na última semana de agosto, com o consentimento do meu marido. Havíamos combinado que em setembro não teríamos mais cuidado algum. Final de setembro, nada de menstruar. Como nunca fui regulada, a expectativa bateu no coração, mas como todos dizem que depois de três anos tomando remédio leva um tempo para conseguir engravidar, desencanei. Sete dias e nada. Um pouco de cólica, mal estar como se fosse ficar gripada e... muitos gases!!! Fiquei preocupada com o que poderia ser. Todos os dias brincava com meu marido: “não desceu hoje”; “Yes! Nada até agora!”...o mal estar piorou e resolvi comprar um teste de farmácia porque estava muito a fim de acabar com aquelas dores. Quando vi o resultado, não acreditei. Pulava de tanta alegria! Rubens chegou de viagem às 20h30. Entreguei a ele o teste e ele me olhando surpreso perguntou: “Isso tá certo?”. Eu respondi: “dizem as estatísticas que quando o teste de farmácia dá positivo é batata!”. Ainda sem acreditar, me pediu para ir com calma, pra não acreditar, pra fazer o de sangue no outro dia.
Corremos para a casa dos meus pais. Também demoraram a entender o que era aquele negócio que parecia uma caneta com uns riscos atrás de um visor de vidro. Preciso descrever a alegria deles ao saber que o(a) primeiro(a) neto(a) estava a caminho?
Rubens viajou novamente naquela madrugada. Eu jamais havia acordado tão cedo sem despertador! Corri no laboratório, com o pedido do exame já no sistema (um favor de médicos amigos!) e fiz o teste. Compartilhei a ansiedade com uma amiga que trabalha na mesma empresa. Aquela manhã de sexta-feira, 02 de outubro de 2015, parecia que nunca passaria. O resultado saiu após o horário de almoço. Enviei a notícia aos familiares antes de a Lávila, minha amiga, fazer o pronunciamento na empresa!
Para vovô Sinval e vovó Celina que moram em Barra do Garças, enviei uma mensagem via floricultura – uma mensagem secreta: "Bisa, biso e tio Júnior, demorei, mas agora estou a caminho! Vou chegar primeiro em Cuiabá... mas depois vou aí na Barra dar um beijo em vocês...e no resto da Família! Com carinho, alguém muito esperado!". Para vovô Jersoel e vovó Lia, entreguei um vasinho de sabonetes de rosas pessoalmente com um bilhetinho enviado pelo baby.
Rubens recebeu a confirmação via telefone. Mas a ficha dele não havia caído ainda. Nem a minha.
Passada a euforia da notícia, começam a vir as realidades. O medo do novo, das experiências que nunca vivenciei, a responsabilidade por ter de educar e sustentar uma pessoa; os questionamentos até então relevados e com respostas postergadas; o peso da palavra “mãe”; os milhões de palpites e especialistas em sua vida; as brincadeiras maldosas; dar a notícia ao patrão; enfim, nem tudo são flores. 
Só acho que gravidez é uma coisa muito estranha... e inexplicavelmente maravilhosa! Mas eu preciso curtir isso. Eu quero curtir isso.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

"(...)Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.(...)Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio"

Eclesiastes 7.2 "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração"

Hoje escrevo para desabafar. Esse sempre foi o meu costume: se estou feliz demais, escrevo; se estou apaixonada, escrevo; se triste, escrevo; enfim, ansiosa, angustiada, irada, magoada, decepcionada, transtornada, entusiasmada...e até apática. Descobri que em várias circunstâncias sinto demais e penso de menos. Escrevendo, dá tempo de o coração se aquietar e a mente refletir se a situação merece mesmo tanta intensidade (pra não dizer "tanto drama").
Essas duas últimas semanas tenho me encontrado um pouco "down". Embora tenha convivido muito pouco com o amigo do Rubinho que faleceu dia 08/10/11, sua morte me deixou um tanto abalada. Estavámos orando para que Deus usasse a vida do Rubinho no sentido de ele entender quão maravilhoso e real é o Deus a quem servimos...e fomos surpreendidos pelas notícias do acidente e de sua morte uma semana depois... e um dia após completar 27 anos.
Toda a dor que senti quando perdemos o Dudu, ano passado, com seus 23 anos, parece ter voltado, mas com um sentimento mais esquisito: a vida do Duda, seu testemunho nos últimos dias e nossa convicção de fé nos dá a esperança muito certa de que nossa separação é momentânea. Um dia nos encontraremos novamente! Com o amigo do Rubinho, uma pessoa tão cativante e alegre, que me fez sentir por ele carinho em apenas duas vezes que nos encontramos, a esperança é de que Deus tenha regenerado seu coração em sua última semana de vida, em que ele esteve, aos nossos olhos, inconsciente. Tenho refletido muito em tudo o que aconteceu. O breve período do Rubinho na Ambev que proporcionou a amizade deles, as infindáveis discussões "religiosas"... desejo do mais profundo do meu coração que tudo isso tenha sido instrumentos de Deus na vida desse rapaz e que Deus, em seu infinito poder e soberania, tenha restaurado o seu coração... porque dói muito imaginar que ele não tenha se rendido aos pés de Cristo.
Não fomos feitos para morrer. Fomos criados para viver eternamente! É por isso que a morte é tão dolorosa, tão assombradora. É duro demais pensar que nunca mais ouviremos a voz, as risadas, as broncas, ou que não mais veremos o rosto das pessoas que amamos. Somente Deus para preencher esse vazio que parece infinito (e creio ser infinito mesmo). Somente Deus, com toda sua soberania, para nos fazer descansar na convicção de nenhuma folha de árvore cai se não for de Sua vontade, mostrando Seu controle e domínio sobre todas as coisas. Somente Deus para dar paz ao nosso coração, nos fazendo lembrar que a Sua vontade acontece independente das nossas atitudes, o que nos leva a saber que coisas tristes assim acontecem além do nosso controle, e não precisamos nos culpar (espero que ninguém confunda Descanso em Deus com Responsabilidade Humana!).
Estou em luto. Nunca pensei que sentiria tanto a morte de alguém que conheci há tão pouco tempo, que conversei apenas duas vezes... mas que me cativou muito, tanto pela simpatia, quanto pela admiração como pessoa que ele despertou no Rubinho, e que me contagiou.
Tenho orado todos os dias pela família desse rapaz, amigo do Rubinho, pela namorada que ele deixou, para que Deus preencha o vazio desses corações. Tenho orado por meus tios, pq sei que pra eles o que aconteceu ao Dudu também foi um grande golpe, e, embora estejam firmes em Deus, a dor é muito forte. Aproveito para pedir a vocês, que lerem esse post, que se lembrem desses queridos em suas orações...e para que eles também tenham a oportunidade de conhecer de verdade ao Deus soberano e Todo-Poderoso.
"O que me consola na minha angústia é isto: que a Tua Palavra me vivifica" Salmos 119:150

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Fazer a diferença e ser testemunha é relativo?! Desde quando???????

Tenho refletido a respeito do comportamento evangélico de nossos dias e uma discussão no facebook foi a gota d'água para mim. Onde estão os conceitos de santidade, testemunho, pureza? Aparentemente (apenas aparentemente....para Deus, eles são os mesmos de antes), foram adaptados ao contexto do mundo relativista que vivemos. O que antes era escândalo para a igreja, hoje trata-se de apenas questões culturais. O texto de Paulo "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém" tem a segunda parte esquecida. Hoje eu posso ser crente da minha maneira, porque o que vale é a intenção. Basta ir à igreja freqüentemente para ter paz no coração e justificar a diversão em locais que proporcionam coisas que desagradam a Deus.
Na discussão que mencionei, não me senti nem um pouco ofendida...aliás, senti-me honrada por ser alvo da expressão "ter fama de santa". Busco, sim, a santidade pois meu alvo é ser como Cristo. Se é isso o que dizem de mim, fico muito feliz. Sei dos meus defeitos e de quantas coisas faço e penso que ofendem ao meu Deus. Mas, o que me entristeceu foi o fato de que as pessoas que se denominam evangélicas encontram-se totalmente vazias da Palavra de Deus, cheias de conceitos relativistas desse mundo. O Salmista diz "guardo no coração as Tuas palavras para não pecar contra Ti". A Bíblia está repleta de textos que nos ensinam o que deve preencher nossa mente e nosso tempo (Fp 4:8; Tg 1:27; Sl 1; Sl 84,etc..).  Dentre estes, quero ressaltar a 2ª parte do versículo 27 do primeiro capítulo de Tiago: "e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo". Não se pode servir a dois senhores! Não há negociação com Deus! Ou você está com Ele ou você não está com Ele. A Lei de Deus nos mostra um Deus infinitamente santo e puro e que não tolera o pecado de forma alguma! Não é possível estar "de bem com Deus" e viver uma vida fazendo coisas que O desagradam. Quem pensa dessa forma, age erroneamente por não conhecer as Escrituras! E isso me entristece tanto!!! Será que é tão difícil entender que a vida com Deus tem um padrão de santidade extremamente alto? É tão alto que nem mesmo o melhor dos pecadores poderia vivê-lo! E é por isso que somos salvos pela graça de Deus. E, logicamente, ao reconhecermos isso, faremos o possível para seguir esse alto padrão de vida de santidade, não como uma busca ou ajuda em nossa salvação, mas como forma de agradecimento e amor a esse Deus gracioso e misericordioso. Que Ele tenha misericórdia de nós, pecadores e carentes de sua graça. Que Ele nos ajude a viver vidas santas que O agradem! Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Será que vale a pena?

2 Timóteo 4:1-8
"Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda."

Gosto muito desse texto do apóstolo Paulo. Na verdade, nem consigo me lembrar de um texto de Paulo que eu não goste de ler. Enfim, quero falar do texto...rsrs....
Paulo escreve essa carta fazendo diversas recomendações a Timóteo e nesse trecho ele parece descrever as dificuldades enfrentadas pelo Evangelho em nossos dias: "não suportarão a sã doutrina"; "se recusarão a dar ouvidos à verdade". Tudo é permitido, tudo é evoluído, tudo é muito civilizado e por isso, não há necessidade de limites ou imposições. A tentativa de convencer alguém a mudar de idéia pode te rotular como preconceituoso e intolerante. A idéia é a de que pode-se discordar, mas deve-se entender que nesse mundo há espaço para todo pensamento e todas as verdades...
Entretanto, a Bíblia não permite essa idéia, pois, caso contrário, seria uma biblioteca de contradições! A Bíblia toda relata uma única mensagem, revela uma única verdade, contrariando todas as demais crenças e pensamentos que possam existir (há um único Deus, o criador e sustentador do universo; o homem, criatura, está separado do Criador; o homem depende, necessita, anseia por seu Criador; o homem voltará a estar em comunhão com Deus somente por Cristo, o único caminho). A Bíblia restringe a verdade. A Bíblia trata de uma única Verdade. É por esse motivo que não podem suportar ouví-la! É por esse motivo que prefere-se dar ouvidos às fábulas!
Paulo, então, faz a recomendação de que suportemos as aflições, preguemos o Evangelho, cumpramos cabalmente o nosso ministério. Ele sabia das dificuldades, mas sabia das responsabilidades que temos, como filhos de Deus, como jovens de Deus, como testemunhas de Deus!
O tema do quadriênio é "Sou Testemunha!". A Bíblia está repleta de servos e servas de Deus, de diferentes idades, que viveram no meio de gerações pervertidas mas que mantiveram-se incontaminados do que desagrada a Deus! Mostra, ainda, que esses servos provavam sua fé no Senhor mesmo que isso custasse a própria vida! Somos testemunhas e precisamos ser padrão dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza! As pessoas ao nosso redor devem ver em nós a diferença em nossos relacionamentos com colegas de trabalho, faculdade, familiares, devem ver a diferença na nossa maneira de falar, na maneira de expressarmos no que cremose conseqüentemente, em todas as nossas atitudes. Isso é ser testemunha! Isso é guardar-se incontaminado do mundo e anunciar a Verdade do Evangelho.
O padrão a ser seguido é muito alto. As dificuldades enfrentadas para seguí-lo parecem aumentá-lo ainda mais. Porém, a recompensa é tão desejável que, pela graça do próprio Deus (isso mesmo! Além da recompensa, ainda contamos com a bênção de ser amparados, fortalecidos e animados) buscamos viver dentro desse padrão de vida com toda a alegria, amor e esperança, dados pelo nosso Deus! "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda."
Iniciamos as atividades da nossa UMP no sábado passado, com um mutirão de limpeza. É desde esses momentos que queremos fazer diferença na vida da igreja, dos nossos irmãos e das demais pessoas que conhecemos. Queremos atuar na área social - ajudando pessoas e nos confraternizando, evangelística - pregando o evangelho, efetivamente, missionária - apoiando missionários também com o nosso carinho de irmãos e com nossas orações, dentro tantas outras áreas de atuação da nossa UMP. Todos nós somos úteis no trabalho, todos nós temos com o que contribuir para o desenvolvimento do trabalho. Somos jovens, somos fortes, somos Testemunhas de Deus!
Imagina, que bênção, chegar ao final desse ano e dizer que conseguimos fazer diferença no bairro em que estamos através dos trabalhos da nossa UMP? Poderia finalizar dizendo que a maior bênção é chegar ao final da vida e poder dizer que "cheguei no ponto final, completei a corrida e guardei a fé"...mas quero contextualizar para a nossa mocidade. Meu desejo, e da diretoria, é chegar ao final do ano e poder dizer que desenvolvemos um trabalho de verdadeiras Testemunhas, que pregaram o Evangelho e fizeram a diferença na vida dos irmãos da igreja e das pessoas que ainda não conhecem a Cristo! Esse é o nosso desafio!